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40 Perguntas com Magno Daniel | Eudaimonia

Pouco mais de um ano depois nossa primeira entrevista, voltamos a falar com o fotógrafo Magno Daniel, que está no cúspide da sua primeira exposição solo.

Fotógrafo há quatro anos, Magno Daniel realizará a sua primeira exposição no Elinga Teatro no dia 23 de Dezembro de 2018 pelas 16 horas da tarde até às 22 horas da noite, a entrada é livre e as fotografias estarão disponíveis para a venda no local (de preferência) e posteriormente também. 

A nossa entrevista ao Magno consta de um leque de perguntas que tentam revelar ao máximo o seu ”eu” como fotografo e descobrir onde e até que ponto cruza o pessoal com o profissional. O formato da entrevista é o mais orgânico possível, as respostas baseiam-se quase por inteiro nas palavras exactas do Magno, tanto por texto como alguns ficheiros de áudios.

Qual é o seu ‘sujeito’ favorito para fotografar?

‘’Eu diria que o meu sujeito favorito para fotografar é paisagem, o “sujeito” que me faz sentir expressivo e livre`’

O que faz a boa imagem se destacar da média?

‘’Bem, essa pergunta é muito subjectiva. Eu diria que um feeling faria uma boa imagem se destacar, mas tenho aprendido nos últimos meses que a estética fotográfica faz muito mais uma fotografia se destacar e quando falo de estética não estou especialmente a falar de ser bonita, mas ter os complementos para transformar uma ideia que o fotógrafo têm mente e apresentar de modo adequado, isso envolve luz, cores, poses, composição fotográfica e a lista continua… mas no final do dia todo fotógrafo está sujeito ao seu entendimento e consequentemente ao entendimento de quem aprecia as fotografias.’’

Como descreveria o seu estilo de fotografia?

Em poucas palavras diria minimalista.

Quando tira foto pensa no que as pessoas vão pensar, no impacto que a fotografia terá? Se sim, este é um factor na escolha de sujeitos?

”Normalmente não penso, creio que até o momento só fotografei para mim, mas houve uma fase em que me sentia a fotografar coisas que sabia automaticamente que as pessoas iriam gostar, e nesse momento eu criei uma espécie de barreira para isso… resultou em muitas coisas boas, mas também fez com que muita gente ao meu redor inclusive olhasse para a mim como quem não se importar com os meus viewers, o que não é bem verdade.”

O quê exatamente tenta dizer com as suas fotografias, e como é que maneja as suas fotos para que elas digam isso?

”Isso é uma questão muito complexa. Depende muito do que estou a fotografar, quando estou por exemplo a fotografar pessoas o meu foco é um conceito específico com alguma linguagem específica, quando faço rua e paisagens a direção é outra, a approach se baseia muito no que o momento me proporciona e a análise de que statement eu posso fazer com aquelas fotografias. O posicionamento normalmente parte da própria fotografia para mim, é algo que vem do resultado para inusitadamente me alertar sobre algum aspecto que devo prestar atenção ou apenas um sentimento de expressão que nada tem de antecipado, é um acontecimento, uma fotografia que se faz por si, sem que eu tenha de interferir ou levar para uma direção.”

Como é que coloca a pessoa, lugar ou coisa que está em frente a câmera no rolo/galeria/papel da maneira que almeja?

”Isso eu admito que não sei a 100%, muitas vezes é um acaso. O plano às vezes é um, a approach é uma e o resultado é totalmente diferente. Então esse é um processo que ainda estou a aprender, decidir como fotografar e posicionar o objecto.”

Entre as suas obras, qual é a sua favorita? Porquê?

Das fotos que vai tirando que percentagem delas nunca vê a luz do dia?

”Diria que 75% do que já fotografei-me não foi visto, algumas foram vistas talvez de raspão por algumas pessoas, mas a maior parte se mantém onde está, eu tenho fotografias como uma de 2015 logo que comecei que estará na exposição e que na altura fiz algumas sobre o mesmo objecto ou situação mas que nunca foram vistas, no entanto permite que algumas dessas versões fossem vistas mas num sentido mais físico.”

De quem é o trabalho que mais lhe influenciou?

”Muito abrangente… bem quando eu descobri fotografia eu fiquei apaixonado pelo trabalho de Neave Bozorgi, que fotografava mulheres apenas, e agora faz muitas outras coisas. Depois dele foram descobertas atrás de descobertas, fui bebendo muita coisa fora do que fazia o que trouxe muitas outras necessidades, me interessei por cinema que é agora a coisa que mais me impressiona. Descobri os great photographers antigos e bebo muito dos jovens, especialmente fotógrafos Sul africanos, mas nomear seria complicado e a lista muito longa.”

Entre os gadgets que possui, há algum que gostaria de não ter comprado? Porquê?

”Eu acho que não compraria o flash, porque eu não uso o flash. Normalmente fotografo com luz natural.”

Qual é a sua lente favorita? Por quê?

”Eu tenho apenas duas: uma 50 mm e uma 24-105, prefiro a 24-105 porque serve melhor os conceitos que idealizo, mas pretendo largar um pouco e trabalhar apenas com uma focal length”


Na última entrevista foi nos apresentada uma lista de impasses que incluía a dificuldade em realizar projetos pessoais, encontrar modelos disponíveis para os mesmos projetos e financiamento para viagens. Podemos afirmar que após um ano houve bastante crescimento como fotografo e os impasses mencionados não impediram-no de crescer.

Quando começou a fotografar fazia sessões de graça? Se sim como procurava por modelos, agarrava toda a oportunidade que aparecia?

”Bem, eu já fiz muita sessão de graça, e digo que até agora faço quando me interessa fotografar alguma coisa, há certas indicações de que será um trabalho produtivo para os dois lados… Instagram acho que se fez o meu método de procura, e vice-versa, sempre foi pelo Instagram que fui abordado até recentemente surgir o meu website, aí as coisas se tornam mais profissionais.”

Eventualmente vemos sempre que trabalhar continuamente de graça é contra-produtivo, principalmente quando dinheiro sai para a deslocação e manutenção do equipamento e assim adiante. Quando é que se sentiu pronto para começar a cobrar pelo seu trabalho?

”Certo, eventualmente alguma coisa muda e nem é sempre a questão de não fazer nada em questão monetária, às vezes há necessidade de se sentir que a coisa que fazemos tem algum valor nesse mundo capitalista, os pagamentos e as compras são detalhes impressionantes, vender fotografia aqui é um luxo, quem compra isso é quem valoriza a arte de algum modo.”

Sentiu backlash de pessoas que consumiam o seu trabalho quando começou a cobrar? Como se eles tivessem a mentalidade de ‘’Mas você que começou agora, procurava pessoas para fazer sessões já quer cobrar?’’ ?

”Definitivamente, aconteceu muito, mas eu tento sempre ter um posicionamento muito normal. Eu até trabalho muitas vezes como já disse de graça, mas quando me interesso no projecto, se sentir alguma arrogância da parte de quem está a colaborar comigo eu me afasto, aconteceu já.”

O que acontece por trás de uma sessão paga no que toca à escolha? Costuma fotografar pessoas que não quer pelo dinheiro ou rejeita se não tiver interesse?

”Raramente fotografo sem interesse de fotografar, a não ser que sejam eventos, pessoas só fotografo o que me interessa, e pode ser um detalhe simples, o dinheiro vem a complementar as coisas, não é o motivo principal, pelo menos até agora nunca foi.”

Como é que se conecta/lida com clientes difíceis?

”Não costumo ter clientes difíceis, mas das poucas vezes que tive de lidar com um fui bem calmo e simplesmente deixei cada um lidar com o que deseja lidar.”

O que faz uma boa sessão para si? De igual modo o que faz um bom dia de fotos?

”Eu prefiro fotografar em dias quentes mas sem muito sol, a não ser que seja um projecto específico. Uma sessão boa depende de quanto aprendi no final e de quanto próximo da ideia original cheguei.”

Fale-nos um pouco da sua equipa.

MARIA BORGES

Como surge a oportunidade de fotografar a Maria Borges?

”Em poucas palavras eu recebi uma ligação a dizer que a Maria Borges estaria aqui e precisava de um fotógrafo por um dia e que alguém que eu conheço apresentou o meu trabalho à Maria. E como essa pessoa taria a vestir a Maria nessa altura num período que ela taria aqui queria que eu fizesse algumas fotos com ela e eventualmente conseguimos planear de alguma forma algumas fotografias.”

Foi a primeira figura pública que fotografou?

”Figura pública não foi a primeira, já fotografei algumas outras, algumas não foram fotografias publicadas.”

Como é que se sentiu ao ter sido indicado e escolhido?

”Bem, foi um sentimento muito bom, eu me senti bem com isso, então foi algo interessante.”

Houve nervosismo da sua parte na execução do trabalho? Se sim, como lidou com ele? 

”Na verdade não houve, tivemos algumas situações em que decidimos o que fazer, mas eu sabia de antemão digamos, talvez não naquele nível que foi, mas tinha noção de que não seria exatamente como queria, a Maria é uma estrela, alguns cuidados e limitações com relação ao trabalho dela são essenciais, entender isso ajudou a não ter esse nervosismo.”

Trabalhar com uma figura tão grande como a Maria Borges foi o que idealizava? Depois de tornar-se público abriram-se muitas portas para si?

”Em questão artística não foi o que queria, melhor, o que desejava quando idealizada lhe fotografar. Mas abriram-se sim algumas portas, eu sou muito cauteloso com as oportunidades, nem tudo vale o que parece valer, então há situações em que certas decisões são mais para benefícios futuros do que apenas criar para manter um nome, que olha lá, nome em Angola é uma coisa incerta, lendas aqui não são tratadas como tal.”

ATELIER BRAVO

Como surge a oportunidade de fotografar para o lookbook do Atelier Bravo?

”Isso foi uma daquelas coisas de Instagram, o Manuel Bravo, dono e creative do atelier, me contactou e me disse basicamente: quero que sejas o director artístico e o fotógrafo da minha coleção, faz o que quiseres, o que escolhes fazer nós vamos usar. Meio que fiquei assustado com atitude de alguém que não me conhecia como pessoa, mas facilitou a criação de muita coisa, ter liberdade artística é das melhores coisas num projecto.”

Barra do Kwanza, cortesia de @bravoatelier

O que o levou a escolher a barra do Kwanza para as fotografias?

”A ideia surgiu de uma viagem que fiz há cerca de um ano atrás com um amigo, o Flávio Cardoso, e eu vi o lugar e comecei automaticamente a criar um conceito para fotografar lá. Surgiu a oportunidade então foi perfeito.”

Luanda Lives, Cortesia de @bravoatelier

O público costuma ver apenas o resultado final, mas nos vídeos behind the scenes podemos ver o trabalho que teve a dirigir e os vários cenários onde tirou fotos. Usou troncos, canoas, palmeiras, carros, a praia, um ‘jardim’/campo.

Foi tudo aleatório ou houve uma razão para escolher tantos cenários diferentes uns dos outros para o mesmo shoot?

”Aquilo foi tudo planeado. O Manuel queria uma determinada estética para o produto dele. Eu simplesmente encontrei nos meus conceitos prontos qual se encaixava e decidi trabalhar com aquele, tudo foi de encontro ao que se propôs.”

Através das suas redes sociais podemos notar a sua versatilidade como fotógrafo. Tem o seu Tumblr para o conteúdo mais privado, a página rerun no instagram para os seus trabalhos e a sua página mdaniel para as fotos livres (corrija-me se estiver errado). Porquê separar tudo ao invés de expor todas as obras numa única página? 

”Exatamente, isso acontece porque eu prefiro por enquanto não ter um posicionamento como fotógrafo, digamos que aprendi a abrir portas para experimentar dentro da fotografia e ainda não me é viável escolher um lugar específico no que tange a fotografia, mas claramente há um lado maior de dedicação para certas coisas.”

Texas, California, Louisiana, Dubai, Angola, África do Sul, Namíbia

De todos os lugares que a fotografia já o levou ou que levou a fotografia, qual é o que mais gostou? Porquê?

”Alguns lugares foram resultados doutras questões na minha vida, mas o meu lugar favorito até agora foi Califórnia, depois disso Benguela e Capetown, pelas experiências e por certas mudanças a que me levaram.”

Pelas fotos vê-se que não fica apenas pelas zonas turísticas, escolhe onde ir com o propósito de tirar fotos ou apenas junta o útil ao agradável?

Depende da situação, normalmente eu viajo para alguma coisa e procuro um tempo para fotografar. Muitas das vezes viagens para outros assuntos acabam por se tornar viagens para fotografar.

Tirando os lugares onde já passou, onde gostaria de ir para tirar fotos e porquê?

Quero muito e estou a tentar criar um plano que funcione para ir a Tazania no próximo ano. Sinto uma enorme energia que me identifica e chama para aquele lugar.

Quando vai em uma das suas viagens, o que leva consigo? Por quê?

”Uns filtros, a minha câmera e as minhas lentes de 405, porque é bué versátil, tudo numa pasta com o meu computador e baterias/carregdores. Disso não passa. E o resto que acontece depois é questão de perspectiva e concepção.

Quando é que começa a pensar em fazer uma exposição?

”Eu tenho vontade de expor há mais de um ano, tinha ideias soltas, tinha vontade mas faltavam muitas outras coisas, no entanto, esse ano tomei a decisão de me fechar e trabalhar numa exposição que agora finalizada sai daqui há duas semanas.” (em uma semana)

Visto que esta faz parte da blueprint para a maioria dos artistas, sentiu uma pressão para fazer uma exposição?

”Honestamente falando não senti pressão. O aconteceu foi querer a exposição de um jeito específico, sem que houvesse muito distúrbio no conteúdo apresentado e sem que me perdesse da direção que decidi seguir para essa exposição, é uma apresentação fora do mundo virtual, há um preparo, uma escolha, das milhares de fotografias que tenho tive de escolher 22 o que fez disso muito trabalhoso a nível de logística mas simples em apresentação.”

Foi algo para o qual se sentiu pronto a fazer ou foi mais uma questão de aprender e preparar enquanto faz?

”Não creio que estive preparado. Me preparei no trajecto, primeiro fui investigando o que era necessário, como podia fazer o que desejava do jeito que idealizei. Algumas coisas foram se moldando e modificando com o tempo, mas deu para chegar o mais próximo possível do que desejava.”

Pode falar-nos um pouco sobre a exposição? Tem um tema?

”A exposição tem como título “Eudaimonia”. O porquê desse nome é algo específico que provavelmente só entenderá quem for a exposição, no entanto é uma mistura de fotografias de estilos diferentes, mas há um limite claro, a sintonia foi criada para tal, a apresentação das fotografias foram determinadas por mim e as pessoas que trabalharam comigo na exposição. Mas responder a essa pergunta é meio que algo tipo: fala-me de ti, descrever é sempre uma coisa mais complexa do que parece, prefiro que as pessoas tenham a sua própria interpretação do que lhes será apresentado no dia 23.”

Juntou fotos que já tinha para esta exposição, tirou fotos novas estritamente para a exposição ou uma junção de ambos?

Onde Será a Exposição?

”Em uma das salas de exposição do Elinga Teatro.”

À que horas decorrerá a abertura? A entrada é à convite privado, entrada livre ou compra de bilhetes?

A abertura da exposição decorrerá pelas 16 horas da tarde do Domingo, dia 23 até às 22 horas da noite, a entrada é livre e as fotografias estarão disponíveis para a venda no local mas estarão disponíveis fora do local também.

”16 horas porque algumas fotografias que escolhi requerem luz natural, o papel no qual imprimi absorvem a luz mas a luz não passa.”

Até quando ficarão as fotos expostas?

Durante o decorrer da semana ainda se poderá fazer compra dos quadros? Os quadros mesmo que comprados ainda permanecem até o fim da exposição?

Como será o pagamento dos quadros?

”Para receber o quadro a pessoa precisa no mínimo de fazer 50% do pagamento. Estamos abertos a pagamentos directos no seu inteiro, via cash ou multicaixa e/ou em outras instâncias pagamentos em 2 parcelas.”


Esperamos por si no dia 23, pelas 16 horas no Teatro Elinga para consumir a arte, o ambiente social connosco, Eudaimonia.


  e-mail
infomagnodaniel@gmail.com
website: www.magnodaniel.com
instagram_mdaniel ou __rerun

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